Conversão ao Cristianismo: As mudanças são necessárias!

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No início do capítulo 8, do Livro de Atos dos Apóstolos (versos 1-2), encontramos a narrativa sobre a morte de Estevão, o primeiro mártir a defender a causa de Cristo, o seu Evangelho. E, também, a grande perseguição aos cristãos primitivos, principalmente após a morte de Estevão. A partir do versículo 3, registra-se que Saulo (antes de sua conversão) assolava e encerrava na prisão, toda e qualquer pessoa que se declarasse ser seguidor de Cristo. Do versículo 5 ao 7, surge a figura de Filipe, que descia para a cidade de Samaria, com o propósito de propagar a Doutrina de Cristo.

Por meio deste Arauto do Senhor, havia a realização de cura de enfermidades (coxos e paralíticos andavam), como também a expulsão de espíritos imundos, enquanto ele pregava a Palavra de Deus. Num certo dia, ele ouviu a voz do Senhor, mandando que fosse a cidade de Jerusalém e que, no trajeto deste percurso, encontrar-se-ia com um homem etíope, eunuco e mordomo de Candace, a rainha dos etíopes. Ele pega uma carona no carro deste homem, vindo a observar que ele lia a Palavra de Deus, no Livro do profeta Isaias.

Enquanto estavam juntos no carro, conversavam sobre a narrativa registrada no livro deste profeta Messiânico, pela qual ele estava lendo. Neste momento, Filipe foi usado como Evangelista e Professor, para ajudá-lo na interpretação acerca do personagem e do assunto deste capítulo, que falava sobre a pessoa de Jesus Cristo. E Filipe perguntou-lhe: “Entendes tu o que lês? E o eunuco respondeu: Como poderei entender, se alguém não me ensinar?

No transcorrer da conversa entre eles, embora a narrativa não descreva o tempo que durou esta viagem, mesmo assim, o eunuco demostrou o desejo de ser batizado. O que foi possível fazer, assim que avistaram um lago: “E indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou” (Atos 8:31-38).

Neste capítulo do Livro de Atos dos Apóstolos, podemos afirmar que o Eunuco se converteu ao Cristianismo, após receber o ensinamento e a instrução da Palavra de Deus através de Filipe. Inclusive, desejou ser batizado imediatamente, o que foi realizado. De acordo com o dicionário Aurélio, a conversão seria a mudança de religião ou uma transformação. Se formos olhar pelas leis de trânsito do Brasil, seria a mudança de direção ou do sentido. Por certo, no campo teológico, pode-se dizer que o real significado da palavra conversão seria “Deixar seus maus caminhos (de impureza/de pecado) e aceitar a Jesus Cristo como o único Senhor e Salvador de sua vida”. E isto seria notado, a partir da mudança do comportamento e de suas atitudes diárias, vindo a agradar ao Senhor.

Com o eunuco, esse processo se deu, teoricamente, de forma muita rápida, mas nem toda conversão ocorre assim. A conversão de uma pessoa ao Cristianismo passa por todo um processo, mas quem determina o tempo deste período é o Espírito Santo de Deus. Uns são convertidos de forma célere, enquanto outros demoram mais um pouco de tempo. Lembrem-se: Quem governa o tempo e a nossa vida é o Senhor. Simultaneamente ao processo de conversão, deve ocorrer algumas mudanças comportamentais na vida do novo convertido (neófito). Desta forma, queremos destacar cinco destas mudanças:

 

1ª Mudança de vida: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:16): Jonathan Edwards, teólogo reformado do século XVIII, ficou conhecido como “o teólogo do avivamento”, afirmando que: “A prática cristã é a melhor evidência de que um religioso professo é um verdadeiro cristão”. Ele quis dizer com isso, que o comportamento transformado é a prova incontestável da obra de Deus em nossa vida. Portanto, podemos concluir que Deus nos chama, separa, capacita e nos envia ao mundo para que, em santidade, proclamemos o seu Evangelho.

Santidade aqui, entre outras coisas, seria a busca que foi desejada pelos puritanos ingleses, de que a santificação só poderia ser produzida de duas formas: A primeira; pela ação do Espírito Santo na vida dos (novos) cristãos. A segunda; de que não podemos negligenciar alguns dos recursos, que o próprio Deus tem disponibilizado para adquirirmos esta santificação, entre eles, a Palavra de Deus e a Oração.

 

2ª Busca constante em/por Deus: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jeremias 29:13): A nossa conversão tem como propósito primeiro, glorificarmos a Deus e, também, que venhamos a desfrutar de uma profunda comunhão (relacionamento) com Ele. Na Segunda Carta aos Coríntios (texto abaixo), destaca-se que a nossa transformação ocorre na medida em que contemplamos a Glória do Senhor, que foi e continua sendo manifestada em Cristo. Desta forma, ao lançarmos nossos olhares sobre Cristo e passarmos a confiar n’Ele, submetendo-nos as suas ordenanças, somos transformados.

 

2 Co 3:18. E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o espírito.

 

Esta nossa busca deve ser constante, devemos ter fome e sede de Sua presença em nosso viver. Tudo isso pelo que Ele é, pelo que fez e pelo que Ele ainda fará. Deus há de completar a obra que iniciou em nós.

 

3ª Ser membro do Corpo de Cristo: “Todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum…” (Atos 2:44): Quando nos convertemos a Cristo, temos que estar debaixo de uma cobertura espiritual. Esta cobertura espiritual aqui na terra, foi delegada para certas pessoas, normalmente intituladas como sendo Pastores, Padres etc. Portanto, precisamos fazer parte duma Comunidade Cristã, instituída pelo próprio Deus, como sendo a sua Igreja Visível. Precisamos ter comunhão com outras pessoas, e principalmente com os irmãos em Cristo: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor” (Salmo 122:1).

 

Salmo 133:1-3. Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes; como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordenou a bênção, a vida para sempre.

 

A casa do Senhor referida neste Salmo, entenda-se como um lugar onde o cristão desfruta com muita alegria, da intima e manifesta presença do Senhor, da comunhão do Espírito e do Amor entre os irmãos em Cristo: “Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gálatas 6:10). Não podemos esquecer, de que somos seres imperfeitos e nos relacionamos diariamente com pessoas imperfeitas. Portanto, não espere encontrar uma igreja perfeita, pois ela não existe! Mas, procure por uma Liderança que tenha temor, reverência, zelo e uma disposição sincera pelo seu crescimento espiritual.

 

 4ª Ter uma vida frutífera: “Vos designei para que vades e deis frutos…” (João 15:16): A parábola da figueira infrutífera (estéril), é um bom exemplo para nos espelharmos. A frutificação por meio do cristão é um dos imperativos de sua chamada por Cristo, para a conversão. Para que seja feita a obra de Deus, não existem desculpas apoiadas na velhice ou por qualquer outro tipo de argumento: “Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes, para anunciarem que o Senhor é reto” (Salmo 92:14-15).

 

5ª – Celebrar a esperança cristã: “Bem aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus” (Salmo 146:5): A vida cristã não te assegura isenção de problemas e sofrimentos, mas somos encorajados e convocados pela Palavra de Deus, para celebrar a Esperança dos Santos: “Espera no Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor!” (Salmo 27:14).

João Calvino escreveu acerca desta esperança: “Deus não frustra a esperança que Ele mesmo produz em nossas mentes, por meio de sua Palavra, e (…)” Portanto, irmãos, devemos como cristãos verdadeiros, esperar pelo Senhor todos os dias, pois se Ele prometeu, Ele virá nos buscar.

A. W. Tozer, pastor e escritor americano escreveu: “Neste mundo em que os homens se esquecem de nós, e mudam de atitude para conosco, conforme ditam os seus interesses particulares e modificam as suas opiniões sobre nós pela mínima razão. Não é uma fonte maravilhosa saber que o Deus com que nos associamos não muda? Não se esqueçam disso: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje, e eternamente” (Hebreus 13:8).

Existem pessoas que simplesmente se converteram ao Senhor (talvez, apenas se convenceram de sua existência e poder), mas estacionaram no tempo. Elas paralisaram e não houve nenhuma mudança em sua vida cotidiana. Muito menos, uma progressão frutífera em sua caminhada Cristã. Por certo, quando o nosso Senhor e Salvador voltar para buscar a sua Igreja (o seu povo), estas pessoas serão cobradas pelo Senhor (leia: 2 Coríntios 5:10).

Nós, Cristãos, precisamos espelhar a Cristo em nossos relacionamentos cotidianos. Por isso, as mudanças são importantes e necessárias e, muitas vezes, em todas as circunstâncias e situações. Assim, quem sabe, conseguimos atrair novos convertidos para o Reino de Deus!

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1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns meu amigo, pelo belíssimo estudo, de fácil compreensão e muito bem fundamentado na Palavra de Deus.

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