Ministério: Interpretação e Prática Religiosa!

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O motivo de resolvermos escrever sobre este tema, pauta-se a princípio, numa questão de cunho pessoal em relação a minha conduta cristã. Durante muitos anos, fiz uma interpretação equivocada acerca da palavra ministério, na esfera religiosa. Talvez por indução ou por ignorância. Assim, como fiz uma interpretação errada, quando a usei em minha prática cotidiana, acabei por comprometer minha conduta. Outra coisa que pode ter acontecido comigo e creio que realmente aconteceu, foi fazer a interpretação de forma literal do termo, passando a aplica-lo diariamente em minha vida, inclusive exercitando-a de forma muito rigorosa: era o tempo de chegar do trabalho, tomar um banho rápido e ir para a igreja. Muitas vezes, cansado e sem dar a atenção devida a minha esposa e ao nosso filho.

Acabei priorizando a ida aos cultos e aos eventos realizados pela igreja, por pensar que estava dando primazia a Deus. Não sei se era por ser militar, não gostava de faltar culto ou qualquer programação que estava sendo realizada pela liderança da igreja, principalmente por ser membro e obreiro da congregação. Por isso, quero nestas poucas linhas, trazer para os leitores e especialmente os novos convertidos, para que não caiam no mesmo erro cometido por mim.

O termo ministério comporta vários significados e, com isso, pode ser aplicado em vários setores ou instituições de nossa sociedade. Podemos interpretá-lo em seu sentido amplo ou restrito. No primeiro caso, ele é muito usado na esfera política e governamental, fazendo parte da estrutura e do organograma duma administração pública (Federal, Estadual e Municipal). Neste caso, estamos nos referindo as pastas, cargos e funções específicas de governo.

Esta palavra serve para designar uma Secretaria de Estado ou de um Município. Pode ser usada para identificar um departamento estatal ou um ministério (área específica de atuação). Por isso, o vemos sendo usado diariamente no cenário político brasileiro. Temos, por exemplo, os Ministérios da Defesa, da Economia, da Saúde, da Agricultura, da Educação, da Cultura, das Relações Exteriores e assim por diante. Mas qual a origem e o significado real da palavra Ministério?

Fazendo uma busca rápida na internet e em dicionários de língua portuguesa, encontramos que ela pode ser definida como sendo: “Órgão do governo ou do Poder Executivo, com a função de promover a execução das Leis no interesse da Ordem Jurídica. Entretanto, gostaríamos de colocar em relevo, palavras sinônimas que apresentam o mesmo significado, embora sejam aplicadas noutras áreas ou setores de nossa sociedade; entre elas; encargo, função, incumbência, ofício, serviço, trabalho ou sacerdócio. Outro conceito bem apropriado para os nossos dias, o define como sendo “o ato de se exercer uma função (pública, privada, militar, empresarial, religiosa etc.) ou um serviço específico”.

No segundo caso, podemos fazer uma interpretação restrita da palavra, sendo este o propósito da escrita deste artigo. Portanto, faremos sua interpretação e aplicação no tocante ao exercício habitual na área cristã ou religiosa. Geralmente, neste setor ou instituição social, usa-se esta palavra para determinar grupos ou segmentos existentes numa igreja ou numa congregação evangélica. Em muitas comunidades cristãs, você irá encontra-la em sua composição estrutural, como tendo vários ministérios (ou departamentos); por exemplo: Ministério de louvor, ministério de pregação, ministério de evangelismo, ministério ou secretaria de ação social, ministério de dança, ministério de teatro, ministério de missões (ou departamento), entre outros. Sendo assim, passemos a conhecer um pouco sobre sua interpretação e prática nas instituições religiosas do Brasil, para entendermos melhor e aplicá-la corretamente em nossas vidas.

 

  1. Etimologia da Palavra:

 

O termo ministério, tem a sua origem no idioma latim e no grego. No latim, a palavra original é “ministerium”, comportando o significado de serviço ou mister. Esta última palavra, tem como significado “executar algo de muita importância ou um serviço necessário”. Neste caso, podemos definir ministério, como sendo um serviço prestado por alguém ou prestado por uma questão de necessidade. No idioma grego, existem diversas palavras usadas como sinônimas do termo ministério, mas gostaríamos de nos ater, de forma específica, apenas em duas delas: Diakonia e Leitourgia.

Diakonia é um termo interpretado em sua literalidade, como sendo uma pessoa que atua como “servo” ou “aquele que cuida das necessidades”. Vale lembrar que existem palavras sinônimas usadas com igual teor, significado e aplicação; tais como: assistente, auxiliar, mordomo ou servente. Leitourgia é uma palavra derivada do termo “leitos”, que comporta o significado de “pertencente ao povo”. Nos registros histórico-bíblicos, ela é apresentada como sendo uma pessoa que prestava serviço para o Estado ou para o Governo. Em nossos dias, podemos dizer que seriam os chamados Servidores Públicos: Federais, Estaduais ou Municipais. Uma pessoa que presta um serviço para o bem da comunidade local.

Nas narrativas do Novo Testamento (NT), podemos observar algumas pessoas sendo chamadas de Publicanos (cf. Mateus 9:9; Lucas 19:1). Em suma, tanto no latim ou no grego, esta palavra apresenta uma mesma significação: encargo, incumbência, tarefa, missão, serviço, sacerdócio ou trabalho. Entretanto, a sua aplicação pode ser apresentada em situações e setores distintos da sociedade e não somente na área cristã ou religiosa. Sem nos aprofundarmos muito, vamos nos ater ao significado dessas duas expressões, sabendo-se que elas são muito usadas e aplicadas nas instituições religiosas. Portanto, ministério pode ser traduzido por “servir ou serviço”.

 

  1. O Ministério Exercido no Antigo Testamento:

 

Quando lemos os livros e as narrativas registradas no Antigo Testamento (AT), nos deparamos com algumas pessoas que foram chamadas e designadas por Jeová, para assumir certos ministérios, diga-se de passagem, cargos ou serviços para o Senhor, com a finalidade de promover o desenvolvimento e a continuidade de Seu plano de redenção da humanidade. Em sendo assim, gostaríamos de destacar três delas: os Profetas, os Sacerdotes e os Sumo Sacerdotes.

2.1 O Ministério Profético: geralmente, quem exercia e ocupava esta função, eram homens escolhidos e chamados por Jeová, para que recebessem diretamente d’Ele uma mensagem revelada, para que a transmitissem em sua literalidade ao povo. Eles foram os Porta-vozes ou os Representantes de Deus, que levavam uma mensagem revelada (Rhema) para o seu povo.

Números 12:6-8. E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele (o revelarei). Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do Senhor; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés? (acréscimo nosso).

 

No texto acima, colocamos em relevo a pessoa do profeta Moisés, um dos maiores vultos do AT, mas outros homens também foram chamados e usados pelo Senhor. Uma atitude que deve ser acentuada sobre estas pessoas escolhidas, é que quando recebiam a mensagem do Senhor e partiam para transmiti-la ao povo, costumavam dizer em sua introdução: “Assim diz o Senhor (…)”. A partir daquele instante, não era mais o homem mortal e pecador que estava falando, mas o próprio Deus através de seu Profeta (porta-voz).

 

2.2 O Ministério Sacerdotal: antes de falarmos alguma coisa sobre esta incumbência, gostaríamos de dizer que o termo sacerdote e sacerdócio, tem uma de suas origens do termo latim – Sacerdos, cujo significado é “Aquele que oferece sacrifícios”. Expressão que vem do termo “Sacer” – sagrado, com a junção da raiz “Dare” – dar ou oferecer. Logo, o ofício dos sacerdotes é o sacerdócio: Dar ou oferecer aquilo que é sagrado. Sendo assim, certos homens do povo, foram chamados para assumir este ministério (serviço), tendo que apresentar ofertas e sacrifícios para o Senhor. Não podemos esquecer, de que nações pagãs também tinham os seus sacerdotes. O nosso Deus e Senhor, determinou que separassem alguns homens e os constituíssem sacerdotes dentre o seu povo.

 

Êxodo 40:12-15. Farás também chegar a Arão e a seus filhos à porta da tenda da congregação; e os lavarás com água. E vestirás a Arão as vestes santas, e o ungirás, e o santificarás, para que me administre o sacerdócio. Também farás chegar a seus filhos, e lhes vestirás as túnicas, E os ungirás como ungiste a seu pai, para que me administrem o sacerdócio, e a sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo nas suas gerações.

 

O sacerdote precisava passar por uma purificação antes de apresentar as ofertas e sacrifícios do povo diante de Deus: “E os sacerdotes entraram dentro da Casa do SENHOR, para a purificar, e tiraram para fora, ao pátio da Casa do SENHOR, toda a imundícia que acharam no templo do SENHOR (…). Começaram, pois, a santificar ao primeiro do mês primeiro, e, ao oitavo dia do mês, vieram ao alpendre do SENHOR e santificaram a Casa do SENHOR em oito dias; e, no dia décimo-sexto do primeiro mês, acabaram. Então, entraram para dentro, ao rei Ezequias, e disseram: Já purificamos toda a Casa do SENHOR, como também o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a mesa da proposição com todos os seus objetos” (cf. 2 Crônicas 29:16-18).

 

2.3 O Ministério do Sumo Sacerdote: podemos dizer que esta posição e encargo, estava reservado para o homem escolhido por Deus, para exercer uma liderança sobre os demais sacerdotes. Como também, para fazer a propiciação pelo povo (com sacrifício de animais), para que Deus perdoasse os seus pecados. Em outras palavras, ele seria considerado o Principal entre os sacerdotes hebreus (judeus/Israelitas). No Antigo Testamento, Deus escolheu Arão, o irmão mais velho de Moisés, para exercer este serviço entre o Seu povo.

 

Hebreus 5:1-3. Porque todo o sumo sacerdote, tomado dentre os homens, é constituído a favor dos homens nas coisas concernentes a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados; e possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados; pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza. E por esta causa deve ele, tanto pelo povo, como também por si mesmo, fazer oferta pelos pecados.

 

Durante o tempo da peregrinação no deserto (40 anos), Deus ordenou a Moisés que construísse um templo portátil – o Tabernáculo, mostrando-lhe o projeto arquitetônico de como deveria ser e o que deveria ter em seu interior e em cada repartição: 1. A Porta e o Pátio: comportando o Altar do Holocausto e o Lavatório. 2. O lugar Santo: nele estaria o Candelabro de Ouro, a Mesa dos Pães Ázimos e o Altar do Incenso. 3. O lugar Santíssimo (o Santo dos Santos): existindo um Véu de Separação (do ambiente) e a Arca da Aliança.

Os demais sacerdotes podiam exercer o seu ofício, indo somente até o Lugar Santo, mas no lugar Santíssimo, o acesso só era permitido ao Sumo Sacerdote: “Ora, estando estas coisas assim preparadas, a todo o tempo entravam os sacerdotes no primeiro tabernáculo (o lugar Santo), cumprindo os seus serviços, mas, no segundo (o Lugar Santíssimo), só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo” (cf. Hebreus 9:6-7).

Vale ressaltar neste ponto, que o sumo sacerdote tinha também outra tarefa específica e exclusiva: deveria apresentar-se diante do Senhor com o incensário aceso. Os dois filhos do sacerdote Arão, desobedecendo a ordem de Jeová, tomaram o incensário e o acenderam. Por isso, que eles, Nadabe e Abiú foram consumidos pelo fogo diante do Senhor (cf. Levítico 10:1-2). Depois disso, os outros dois filhos do sumo sacerdote, Eleazar e Itamar, deram sequência ao serviço sacerdotal, concedido a eles por Deus (Êxodo 38:21).

 

2.3.1 O Ministério Exclusivo dos Levitas: entre todo o povo de Deus, o próprio Javé, escolheu e determinou a Moisés, que separasse Arão e seus filhos, para que assumissem o serviço sacerdotal entre eles: “Depois, tu farás chegar a ti teu irmão Arão e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o ofício sacerdotal, a saber: Arão e seus filhos, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar” (cf. Êxodo 28:1; Levítico 8:1-36). Eles tinham funções específicas para serem executadas diariamente, pela manhã e a tarde. Em todo o tempo eles estavam envolvidos com as coisas do Senhor (tempo integral/dedicação exclusiva).

 

Números 1:45-50. Assim foram todos os contados dos filhos de Israel, segundo a casa de seus pais, de vinte anos para cima, todos os que podiam sair à guerra em Israel; Todos os contados eram seiscentos e três mil e quinhentos e cinquenta (603.550). Mas os levitas, segundo a tribo de seus pais, não foram contados entre eles, Porquanto o Senhor tinha falado a Moisés, dizendo: Porém não contarás a tribo de Levi, nem tomarás a soma deles entre os filhos de Israel; Mas tu põe os levitas sobre o tabernáculo do testemunho, e sobre todos os seus utensílios, e sobre tudo o que pertence a ele; eles levarão o tabernáculo e todos os seus utensílios; e eles o administrarão (estarão nesta função/serviço), e acampar-se-ão ao redor do tabernáculo (grifamos).

 

Todas as vezes que o povo de Deus parava para descansar e acampar num determinado local, os levitas deveriam montar o tabernáculo e, depois, as suas próprias tendas em seu arredor, para terem facilidade de mobilização para o proteger e quanto aos cuidados dos utensílios do santuário (cf. Números 1:47-53). Eles foram divididos em três grupos: os filhos de Gerson – Gersonitas (2.630 homens); os filhos de Coate – Coatitas (2.750 homens) e os filhos de Merari – Meraritas (3.200 homens). Na contagem, perfaziam o total de oito mil, quinhentos e oitenta homens (8.580), que tinham como trabalho específico, os cuidados do tabernáculo e de todos os utensílios sagrados. Foi por ordem de Jeová, que os Levitas não foram contados entre os Israelitas, com as demais Tribos de Israel, pois executariam uma função específica e necessária (mister) para a realização do culto de adoração a Javé e a apresentação das ofertas e sacrifícios diários, feitos pelo seu povo.

Dificilmente, você irá encontrar nos 39 livros do Antigo Testamento, o registro da palavra “salário”, usada como forma de pagamento em dinheiro a qualquer dos homens que tinham o ministério de Profeta, Sacerdote, Sumo Sacerdote e os Levitas. Lembrando que na época, grande parte das negociações comerciais e trabalhistas, inclusive os contratos de casamento, eram feitos com ouro, prata, bronze, cobre, porção de terras, gêneros alimentícios (primícias da colheita) ou com animais: bois, ovelhas, jumentos, camelos, cavalos: “E José disse: Dai o vosso gado, e vô-lo darei por vosso gado (…). Então, trouxeram o seu gado a José; e José deu-lhes pão (provavelmente, o trigo, farinha etc.) em troca de cavalos, de ovelhas, de vacas, e dos jumentos; e os sustentou de pão aquele ano por todo o seu gado” (cf. Gênesis 47:16-17).

Para tanto, encontramos no livro do profeta menor Zacarias, numa das diversões versões das Escrituras Sagradas (a Bíblia), um registro que apresenta a palavra “Salário”: “E eu disse-lhes: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o que me é devido (pagamento) e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário (grifamos), trinta moedas de prata. O SENHOR, pois, me disse: Arroja (arremessa, lança) isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do SENHOR” (cf. Zacarias 11:12-13).

Neste texto, fica subentendido de que o profeta estava cobrando o “Pagamento” (salário) pelo serviço que estava prestando ao povo (ministério profético), como sendo o representante de Jeová. O valor que lhe ofereceram, era o preço equivalente de um escravo daquela época, entre 20/30 moedas de prata (cf. Êxodo 21:32). Foi o mesmo preço pago a Judas Iscariotes, pelos principais sacerdotes e os anciãos do povo, quando avaliaram a vida do Mestre Jesus. (cf. Mateus 27:1-8). Encontramos outras narrativas em que, após a realização dum feito tido como milagroso, operado por um dos homens de Deus – Profetas, a pessoa que era beneficiada, insistia para que aceitasse “tal valor” ou objetos pela realização do milagre. Esta atitude pode ser entendida como sendo de gratidão, mas não como pagamento dum salário (em dinheiro).

 

2 Reis 5:14-16. Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou purificado. Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva, e chegando, pôs-se diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel; agora, pois, peço-te que aceites uma bênção do teu servo. Porém ele disse: Vive o Senhor, em cuja presença estou, que não a aceitarei. E instou com ele para que a aceitasse, mas ele recusou (grifamos).

 

Outros comportamentos eram praticados pelo povo do AT, como o de se apropriarem dos “despojos de guerra”, os pertences do povo e da cidade em que haviam derrotado numa batalha. Numa dessas batalhas, o próprio Abraão, após ter vencido o rei de Elão – Quedorlaomer, deu o “dízimo” de tudo a Melquisedeque, rei da cidade de Salém, pois havia adquirido dos perdedores (cf. Gênesis 14:19-20). Morrendo Sara, sua esposa, ele procurou um lugar para enterrá-la dignamente. Neste caso, Abraão comprou o campo de Macpela que tinha uma caverna. Neste campo foram sepultados: Sara, Abraão, Isaque, Rebeca, Lia e Jacó: “Então Abraão concordou com Efrom e pagou-lhe o preço por ele estipulado, pesando-lhe o valor da compra na presença dos filhos de Hete: quatrocentas peças de prata, de acordo com o sistema de pesos e valores usados entre os mercadores” (cf. Gênesis 23:8-16; 25:9; 49:30-31 e 50:13).

Outra conduta comum à época, voltava-se para o caso de ter que visitar alguém, sendo que não era o costume de fazê-lo com as “mãos vazias”, ou seja, sem levar alguma coisa para oferecê-la: “Porém ele lhe disse: Eis que há nesta cidade um homem de Deus (Vidente ou Profeta Samuel), homem honrado é; tudo quanto diz, sucede assim infalivelmente; vamo-nos agora lá; porventura nos mostrará o caminho que devemos seguir. Então Saul disse ao seu moço: Eis, porém, se lá formos, que levaremos então àquele homem? Porque o pão de nossos alforjes se acabou, presente nenhum temos para levar ao homem de Deus; que temos? E o moço tornou a responder a Saul, e disse: Eis que ainda se acha na minha mão um quarto de um siclo de prata, o qual darei ao homem de Deus, para que nos mostre o caminho” (cf. 1 Samuel 9:6-8).

Em resumo, pode-se afirmar que naquele tempo, todos os homens que foram escolhidos e chamados por Deus, juntamente com toda a sua família, eram sustentados pelas ofertas (prata, ouro, etc.), gêneros alimentícios (trigo, farinha, azeite, uvas, mel, vinho etc.), com animais e outras coisas apresentadas para a realização dos sacrifícios e holocaustos contínuos (cf. 2 Reis 22). Para concluirmos este tópico, não o assunto, quero colocar em relevo, a atitude adotada por Davi, que representa uma conduta exemplar de quem realmente foi escolhido e chamado por Deus, para “Presidir” e Liderar outras pessoas (uma comunidade/um povo).

Ele estava foragido duma perseguição ferrenha do rei Saul que, por ciúme e inveja, queria matá-lo. Numa ocasião, ficou escondido na caverna de Adulão, mas alguns homens desprezados pelos demais povos (endividados e perversos), ficaram sabendo onde ele estava. Eles partiram para o local e o fizeram como o seu Comandante (cf. 1 Samuel 22:1-2). Davi, juntamente com esses homens, começou a ganhar batalhas e a livrar cidades de seus opressores. Com isso, ganhou prestigio da população que viviam nestas regiões, inclusive com direito de morar na cidade de Ziclague, junto com toda sua família e seus liderados. Numa de suas saídas com seus homens, os Amalequitas aproveitaram e invadiram Ziclaque, colocando fogo e levando consigo o seu rebanho e todo o seu povo: idosos, mulheres e os jovens. Em retorno da batalha, verificando o que havia ocorrido, seus homens quiseram apedrejá-lo.

 

1 Samuel 30:1-6. Sucedeu, pois, que, chegando Davi e os seus homens, ao terceiro dia, a Ziclague, já os amalequitas tinham dado com ímpeto contra o Sul e a Ziclague, ferido e queimado; tinham levado cativas as mulheres que lá se achavam, porém a ninguém mataram, nem pequenos nem grandes; tão-somente os levaram consigo e foram seu caminho. Davi e os seus homens vieram à cidade, e ei-la queimada, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas eram levados cativos. Então, Davi e o povo que se achava com ele ergueram a voz e choraram, até não terem mais forças para chorar. Também as duas mulheres de Davi foram levadas cativas: Ainoã, a jezreelita, e Abigail, a viúva de Nabal, o carmelita. Davi muito se angustiou, pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas; porém Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus.

 

Mas Davi se posicionou em consultar ao Senhor acerca de qual atitude deveria tomar. O Senhor respondeu a sua oração, dizendo que deveria seguir e lutar contra os Amalequitas: “Então consultou Davi ao Senhor, dizendo: Perseguirei eu a esta tropa? Alcançá-la-ei? E lhe disse: Persegue-a; porque decerto a alcançarás e tudo libertarás”. Eles tinham acabado de chegar duma batalha, estavam muito cansados (cf. 1 Samuel 30:7-8), mas, mesmo assim, ele e seus 600 homens, saíram ao encalço dos amalequitas. Conseguiram alcança-los e os pegaram de surpresa, pois não esperavam esta reação por parte deles. Estavam bebendo e comemorando a vitória sobre a cidade de Ziclague.

O ponto que nos chama a atenção nesta passagem, refere-se ao fato de que Davi deixou 200 de seus homens, tomando conta de seus animais e de suas bagagens, tendo em vista que estavam fatigados. Com apenas 400 homens, recuperaram tudo o que eles haviam levado, desde os animais, objetos e todo o seu povo, nada se perdeu. Além disso, tomaram posse dos despojos que pertenciam aos Amalequitas (cf. 1 Samuel 30:9-10,17-20). No retorno a sua cidade, os 400 homens que foram com Davi, não quiseram dividir os despojos com os 200 que não participaram da batalha: “Então, todos os maus e perversos, dentre os homens que tinham ido com Davi, disseram: Visto que não foram conosco, não lhes daremos do despojo que libertamos; mas que leve cada um à sua mulher e seus filhos”. Porém, Davi fez prevalecer a posição dum verdadeiro líder, que foi chamado e escolhido por Jeová para estar à frente deste povo, e disse: “Não fareis assim, meus irmãos, com o que nos deus o Senhor, que nos guardou, que entregou a tropa que contra nós vinha, nas nossas mãos (…). Porque qual é a parte dos que desceram a peleja, tal também será a parte dos que ficaram com a bagagem; igualmente repartirão” (1 Samuel 30:22-24).

Esta atitude tomada por Davi, faz-nos lembrar do tempo em que foi instituída a igreja primitiva do Senhor (“visível”), em que os “membros” vendiam as suas propriedades e levavam a soma em dinheiro, depositando-a aos pés de sua liderança, quando era repartida para atender os mais miseráveis e necessitados entre os irmãos (o povo).

 

  1. O Ministério Exercido no Novo Testamento:

 

Vimos que no tempo do Antigo Testamento, tanto os profetas, sumo sacerdotes, sacerdotes e os Levitas, foram chamados para assumirem um Ministério (serviço) para o Senhor. Dentre eles, os Levitas não tiveram posse de terras em igualdade com os demais, nem direito a herança e nem recebiam qualquer “salário” em dinheiro, pelo trabalho prestado no Tabernáculo. Lembrando amigos e leitores, de que o próprio Deus disse que a sua herança era Ele próprio – Jeová: “Eles terão uma herança; eu serei a sua herança; não lhes dareis, portanto, possessão em Israel; eu sou a sua possessão. E a oferta de manjares, e o sacrifício pelo pecado, e o sacrifício pela culpa eles comerão (o sustento diário); e toda coisa consagrada em Israel será deles. E as primícias de todos os primeiros frutos de tudo (gêneros alimentícios) e toda oferta de todas as vossas ofertas serão dos sacerdotes (o seu salário); as primeiras das vossas massas dareis ao sacerdote, para que faça repousar a bênção sobre a tua casa” (cf. Ezequiel 44:28-30).

Portanto, se quisermos usar o termo “salário” na conduta adotada pelo povo Hebreu (Judeu/Israelita), do Antigo Testamento (AT), podemos afirmar de que o recebiam, a princípio, nas condições e formas registradas de acordo com os textos descritos acima. Dito em outras palavras, eles o recebiam como sendo o seu “sustento diário”, que era retirado das ofertas de alimentos e de animais, que eram apresentadas ao Senhor diariamente pelo povo.

Quando passamos para a ler e estudar a época e o povo do Novo Testamento (NT), principalmente no início do surgimento e da pregação de João, o Batista, vemos a mesma conduta sendo adotada pelo povo de Deus. Os homens escolhidos e chamados por Jeová, levavam uma vida de muita simplicidade e com humildade, inclusive enfrentando muitas adversidades. Geralmente, eles se reuniam num lugar público e por onde passavam todo tipo de pessoas.

 

Mateus 3:1-6. E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E este João tinha a sua veste de pêlos de camelo e um cinto de couro em torno de seus lombos e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Então, ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.

 

Para este momento, Ele já havia chamado e escolhido “alguém” para estar à frente do povo e exercer o seu ministério (serviço). Neste caso, preparando o caminho para a Sua chegada à terra, com o “serviço” da pregação de Sua própria mensagem, que fora revelada ao seu Porta-voz. Tempos depois, com a vinda e o surgimento do Messias – Jesus Cristo, tempo em que se fez “Carne” – tornou-se Homem; simultaneamente teve início a perseguição aos adeptos de suas Boas Novas (o Evangelho) ou do Cristianismo. Tanto João Batista como Jesus Cristo, durante o tempo de seus ministérios na terra, levavam uma vida com muita simplicidade, sem jamais propagar qualquer tipo de prosperidade financeira ou material aos seus seguidores.

No entanto, durante a época da Roma Antiga, muitas coisas começaram a mudar na sociedade da época, principalmente estando o controle e o domínio nas mãos dos imperadores romanos. Para exemplo, veja o caso do mineral formado pelo cloreto de sódio, que o conhecemos como “sal de cozinha”. Ele passou a ser um produto caro e muito raro para a população pobre, podendo ser facilmente usado na negociação comercial e trocado por alimentos, armas, vestimentas e outras formas comerciais. Com o passar do tempo, da palavra sal, cuja origem é latina – “Salarium”, que significa “pagamento com sal”, deu-se origem a expressão “salário”, conforme a usamos em nossos dias. Ela representava (ainda representa) uma “remuneração devida pelo empregador, em face da prestação dum serviço realizado pelo seu empregado”.

Durante um bom tempo, pode-se dizer que os homens que foram chamados e escolhidos pelo Senhor, mesmo com a instituição da Nova Aliança, continuaram com a mesma conduta adotada pelos “servidores” do Antigo Testamento. Eles não recebiam salário em dinheiro, pelo serviço que prestavam a Deus: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos (ou discípulos). Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum (grifamos). Vendiam suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade (grifamos). E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração” (cf. Atos 2:42-46).

Nos escoramos na Palavra de Deus, para dizer que o apóstolo Paulo não recebia nenhum “salário” ou pagamento em dinheiro, para desempenhar a função de Missionário e Fundador de Igrejas. Ele tinha como atividade laborativa fazer Tendas e, por certo, recebia um valor pela venda de seus produtos: “Depois disto, partiu Paulo de Atenas e chegou a Corinto. E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), se ajuntou com eles, e, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava (grifamos); pois tinham por ofício fazer tendas” (cf. Atos 18:1-3).

Além disso, ele recebia ajuda em ofertas (provavelmente em dinheiro) envidadas por pessoas das cidades por onde tinha passado em seus “serviços” missionários: ”Todavia, fizestes bem em tomar parte na minha aflição. E bem sabeis também vós, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente. Porque também, uma e outra vez, me mandastes o necessário a Tessalônica. (…). Mas bastante tenho recebido e tenho abundância; cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus” (cf. Filipenses 4:14-18).

Infelizmente, vieram o avançar dos anos e muitas mudanças ocorreram, alcançando todas as instituições e áreas da sociedade, chegando até nossa era: mudou-se muito o comportamento conjugal, familiar, trabalhista, religioso e, principalmente, a conduta pessoal dos seres humanos (e na coletividade). O próprio apóstolo Paulo nos advertiu sobre isso, ao dizer que: “(…), logo após a minha partida (morte), lobos ferozes (falsos profetas/lideres) se infiltrarão por entre a vossa comunidade (casas, igrejas e comunidades) e não terão piedade do rebanho” (cf. Atos 20:29).

Em outras palavras, ele profetizou de que homens que estariam na liderança das instituições religiosas (igrejas/sinagogas), iriam ceder e se inclinar para as condutas pecaminosas, inclusive se aproveitando da comunidade local (do rebanho/seguidores de Cristo). Esta predição feita pelo apóstolo, está se confirmando a cada dia, em pleno Século 21. Estamos testemunhando lideranças eclesiásticas de vários segmentos religiosos (denominações), propagando uma ostentação pública (demonstração de fama/sucesso), de grande soberba (que foram chamados e predestinados ao saber Divino/Teológico) e duma ganância excessiva (busca desenfreada por riquezas materiais).

Toda liderança religiosa que tem procedido assim, parece ter se espelhado em alguns dos personagens do Antigo Testamento, entre eles; Dalila, que veio trair o amor e a confiança de Sansão, em troca de dinheiro. Com isso, ela promoveu a sua morte por seus inimigos (cf. Juízes 16) e Acã que, por ganância e “olho grande”, escondeu uma capa babilônica e objetos de ouro em sua tenda. Esta conduta estava trazendo maldição para todo o povo de Israel. Ele atraiu para si e para toda a sua família, a morte por apedrejamento (cf. Josué 7).

E do Novo Testamento; onde podemos citar, Ananias e Safira que, após venderem a sua propriedade, concordaram em mentir para Pedro, o Líder da Igreja local, dizendo ter sido por um valor menor. Ambos morreram devido a este grave pecado (cf. Atos 5:1-14) e Judas Iscariotes, que tinha a confiança de Jesus Cristo e exercia o “ministério” de tesoureiro entre os discípulos, pois administrava as ofertas (e dinheiro) que recebiam para o seu sustento. Trocou a confiança e a sua salvação eterna, por 30 moedas de prata (cf. Mateus 26; Marcos 14 e Lucas 22).

Portanto, aquela postura adotada pelos homens de Deus do passado (AT) e que prosperou por um bom tempo, pelo povo que viveu na época do Novo Testamento (Nova Aliança), após o surgimento e a instituição da igreja primitiva (cf. Atos, cap.2), a igreja visível e instituição religiosa, que passou a fazer parte da estrutura social (organização), esta conduta passou a ser totalmente mudada. Em nosso tempo, ela encontra-se em “extinção”, pois os “homens” se tornaram totalmente “individualistas e egoístas”, gananciosos, avarentos e amantes de si mesmo. Infelizmente, também sou e faço parte desta geração “fraca” (fala dum Pastor da atualidade):

 

2 Timóteo 3:1-7. Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.

 

O texto acima, retrata a verdade “crua e nua” de como nós (os atuais seguidores de Cristo) e, principalmente, daqueles que se dizem “vocacionados” ao ministério Pastoral (Liderança), tem se apresentado com uma capa de ovelha, mas em seu interior, não passam de verdadeiros “lobos devoradores”. Estes, diferentes da postura adotada pelo apóstolo Paulo (e outros), que fazia de tudo para não “Pesar e sobrecarregar” a igreja (os seus membros), em relação ao recebimento de pagamento salarial, não estão nem aí. Além de receberem “aviltantes salários”, estão adquirindo fazendas (criando gados/cavalos de raça), iates, aviões, carros exuberantes ou outros investimentos comerciais e financeiros, com o dinheiro “suado” do trabalho pesado de seus membros.

Quem dera, pudéssemos voltar no tempo e presenciar (fazer parte) a grande “empatia” e o grau de sensibilidade e solidariedade, em que viviam o povo de Deus: “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns (grifamos). E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum (grifamos); porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha (cf. Atos 4:32-35).

Vemos aqui neste texto, a atuação duma igreja verdadeiramente assistencialista, comunitária e de grande espiritualidade. A sua liderança se preocupava em primeiro lugar, em cuidar e ajudar no sustento de suas ovelhas, principalmente daquelas que estavam “abatidas” e passando por momentos de muitas dificuldades. Em nossos dias, o que vemos e testemunhamos é uma ou outra instituição religiosa ou comunidade evangélica, de vez em quando, se mobilizando para a arrecadação de cestas básicas, compra de remédios e para o pagamento das constas de água/energia, para alguns de seus membros. E não muito mais do que isso!

 

Ageu 1:4. Por este motivo a Palavra do SENHOR foi uma vez mais comunicada por meio do seu profeta Ageu, dizendo: Porventura é tempo de habitardes em casas com luxuoso acabamento, enquanto a minha Casa continua em ruínas?

 

Este texto do passado, parece que acabou de ser escrito, pois, na verdade, estamos observando o mesmo comportamento de alguns dos homens de Deus daquela época, que passavam o tempo todo ocupados na construção de seus “palácios” e numa preparação efusiva para terem uma ótima garantia salarial, recebida pela igreja (de seus membros).

 

3.1 – Interpretação de Salário em nosso Tempo:

 

Na abordagem apresentada até aqui, vimos que nos registros do AT, encontramos algumas narrativas em que aparece a palavra salário (ver Ageu 1:1-5), como fazendo parte do cotidiano de seu povo, mas, geralmente, recebido com bens alimentares e outros. Diferentemente de lá (AT), alguns textos dos livros do Novo Testamento (NT), registram algumas passagens sobre o possível recebimento de salário pago os chamados “homens de Deus”. Dito com outras palavras, encontramos narrativas que nos dão a ideia e interpretação, de que certos homens que viveram naquela ocasião, recebiam um “salário” pelo serviço prestado a Jeová. Vejamos alguns destes textos:

 

Mateus 10:1,7-10. E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda enfermidade e todo mal. (…), e, indo, pregai, dizendo: É chegado o Reino dos céus. Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai. Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforges para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão, porque digno é o operário do seu alimento (sublinhamos).

(…)

Lucas 10:1-2,5-7. E, depois disso, designou o Senhor ainda outros setenta e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. (…). E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa (sublinhamos).

(…)

1 Tessalonicenses 5:11-13. Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis. E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós (sublinhamos).

 

Os textos em relevo, não expressam de forma clara, de que a palavra “dignidade” estivesse relacionada a expressão salário, como o resultado de pagamento em dinheiro aos obreiros (que faziam a obra do Senhor), de acordo como ocorre em nosso tempo. No primeiro texto, fala acerca do alimento, ou seja, o salário recebido por eles, seria o sustento necessário que receberiam da família que os hospedassem em sua casa. No segundo, reforça-se o que está registrado no primeiro: “E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem. Eles receberiam como salário, a bebida e a comida que tivessem em suas despensas. Com o acréscimo da hospedagem. Embora o texto apresente a palavra “salário”.

No terceiro e último texto, ocorre um acréscimo diferenciado dos demais, dando destaque para que houvesse o “reconhecimento” daqueles que “presidiam” sobre os demais homens. O termo presidir tem como significado, “exercer uma função de direção e liderança” sobre outras pessoas. Outro acréscimo interessante neste mesmo texto, refere-se a expressão: “(…) e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra”. Vários são os sinônimos do termo estima, entre eles, destacam-se: sentimento de afeição, apreço, carinho, consideração, respeito e/ou admiração.

Vale ressaltar neste ponto, de que não somos contrários ao recebimento dum “salário” para aqueles que vivem a serviço da obra do Senhor (grifamos). Mas, desde que a exerçam com dignidade, humildade e responsabilidade: “Os Anciãos (hb. Presbíteros) que governam bem (presidem/lideram), sejam tidos (tratados) por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam (prestam o serviço) na pregação e no ensino (cf. 1 Timóteo 5:17). Portanto, desde que haja concordância entre os membros e a liderança da comunidade evangélica (aprovada em assembleia), não há nada de errado nisto. O que não pode acontecer, esta é a nossa posição, de que o “salário” do Pastor ou de quem exerce a Liderança, venha a ser quase a totalidade das entradas mensais da igreja (ofertas e dízimos).

No tempo do ministério terreno de Jesus Cristo, juntamente com os seus discípulos, ele percorria longas distâncias a pé e durante o dia, passando pelas cidades, vilas e aldeias, pregando a mesma mensagem que fora revelada a João, o Batista: “Arrependei-vos, pois é chegado o reino dos céus” (cf. Mateus 3:1-2; 4:12-17). Durante os três anos que esteve aqui na terra, ensinou, instruiu e preparou doze de seus seguidores, para darem continuidade a pregação de Sua doutrina depois de sua morte e ressurreição. Esses Doze homens ficaram conhecidos como os Apóstolos de Jesus Cristo.

Como pregavam daquilo que ouviam, aprenderam e testemunhavam com o seu Mestre, Jesus Cristo, deu-se o nome de Era Apostólica (cf. Mateus 10:1-7; João 1:35-51; Atos 1:13-14). Chegou-se um tempo, em que a Palavra de Deus estava alcançando pessoas de todos os lugares e classes sociais,  o que fazia crescer o número de seus seguidores a cada dia. Houve a necessidade de escolher alguns homens, para que pudessem dar um atendimento as viúvas, os pobres e aos necessitados, como também sobre a preparação das coisas concernentes ao culto prestado ao Senhor.

At 6:1-6. Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério (prestação de serviço) cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; e os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.

 

Os Levitas, no AT, exerciam o Ministério dos cuidados de toda a logística da preparação e montagem do Tabernáculo, para que o povo pudesse apresentar a sua oferta e adoração a Jeová. Aqui, no tempo do NT, inicialmente, foram separados estes sete homens para exercer este Ministério (serviço) assistencialista. As Boas Novas de Cristo estavam alcançando várias pessoas e, no texto de Atos 6, registra-se que estava dificultando a atuação da Liderança Apostólica, tendo de interromper seus estudos teológicos, para darem atenção as mulheres viúvas e aos necessitados. Neste caso, ficou decidido que deveriam escolher sete homens de boa conduta e reputação social (e religiosa), para dar atenção e assistência a elas (servi-las) e para as demais pessoas que estavam chegando a Cristo.

 

Mateus 9:9-10; 10:2-3. E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem chamado Mateus e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. (…). Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: O primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Lebeu, apelidado Tadeu; (grifamos). (…). Colossenses 4:17. E dizei a Arquipo: Atenta para o ministério (serviço/encargo) que recebeste no Senhor, para que o cumpras (acréscimo nosso).

 

Neste texto de Mateus, conhecido também pelo nome de Levi (cf. Marcos 2:13-14 e Lucas 6:15), registra-se que ele trabalhava na alfândega, o que pode ser entendido como o local para recebimento de impostos públicos. Logo, era cobrador de impostos. Por isso, ele é denominado como sendo o “publicano”, que significa “pertencente ao povo” ou “servidor público”. Normalmente, as pessoas que ocupavam este cargo, não eram muito queridas pela sociedade, pelo motivo de fazerem parte dela, mas que estavam a serviço de seus invasores, os romanos.

Lucas 19:1-8. E eis que havia ali um homem, chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos e era rico. E procurava ver quem era Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver, porque havia de passar por ali. E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convém pousar em tua casa. E, apressando-se, desceu e recebeu-o com júbilo. E, vendo todos isso, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.

 

Neste texto de autoria do médico Lucas, é apresentado a pessoa de Zaqueu, outro homem com a função de cobrar impostos do povo judeu. No texto, é afirmado que ele era o chefe dos publicanos, liderava os homens que recebiam os impostos e tributos da população. Diz ainda, que ele era muito rico. Certa vez, ele ouviu falar da pessoa de Jesus e ficou curioso para conhece-lo. Por onde Jesus passava, uma grande multidão o acompanhava. Zaqueu, como era de pouca estatura e, sabendo por onde ele iria passar, subiu numa árvore para vê-lo melhor. Depois deste encontro com Jesus, a sua vida mudou completamente. Ele se decidiu por uma mudança completa em sua vida, inclusive a devolver de forma quadruplicada, se alguém o acusasse de tê-lo roubado. Por esta atitude e tomada de decisão, Jesus lhe disse: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão” (cf. Lucas 19:9).

Quero encerrar este artigo, mas não em esgotar o assunto, apresentando um texto que considero apropriado diante de tudo que foi exposto e, para aqueles que estão exercendo o “Ministério” de liderança (sem exceção), pois é de nosso humilde entendimento que eles “Devem servir ao Senhor (e domésticos da Fé)” como sendo a sua prioridade, mas devem ser “Estimados e dignos de dupla honra” pelos seus liderados, caso estejam “Servindo bem”. E o texto sugerido a seguir, o considero como sendo duma boa reflexão para todos.

 

2 Tessalonicenses 3:6-13. Mandamos-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que andar desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebeu. Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós, nem, de graça, comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós (grifamos); não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.

 

Lembrem-se: Não tem como você ser um excelente “servidor público” e exercer com excelência o seu Ministério, apenas entre as quatro paredes do templo onde “Preside” e se reúne e, ao mesmo tempo, Não ter credibilidade cristã ou teológica alguma com a sua esposa e os seus Filhos (em casa). Em outras palavras, não tem como você estar muito bem com Deus (e membros da igreja), enquanto vive num Inferno (em pé de guerra) em casa, com a sua família: “Mestre, qual é o grande mandamento da lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo (que também inclui sua Família/Familiares) como a ti mesmo” (cf. Mateus 22:36-39).

Que todos nós, os Cristãos, independente de qual Ministério (serviço) esteja exercendo atualmente, pensemos um pouco sobre a nossa conduta e procedência Cristã. É muito provável, que assim como Eu, você possa observar alguns equívocos praticados durante a caminha com Cristo, mas que ainda dá tempo de corrigi-los! E, para finalizarmos; não se esqueçam: – o maior e melhor Ministério que você precisa prestar para/ao Senhor, resume-se em: “Amar a Deus acima de qualquer coisa e as Demais pessoas, independentemente se se elas fazem parte ou não da membresia de sua congregação ou do seu ciclo de amizades.

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