O vinho e seu uso pelo povo do Antigo e do Novo Testamento

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A descoberta do vinho feito pela extração de uvas, ocorreu faz muito tempo e fez parte do costume e da cultura de muitos países do mundo antigo e ainda faz do mundo moderno (e atual). Como escreveu Anselmo Borges citando Ben Sira: “O vinho é como a vida para os homens, se o beberem moderamente. Que vida é a do homem a quem falta o vinho? Ele foi criado para a alegria dos homens (e digo eu; e das mulheres). Para alegria do coração e júbilo da alma, a seu tempo e moderamente”. Na antiguidade, dizia-se que era a bebida dos deuses. Para os Romanos, Dionísio, chamado do deus Baco que, segundo eles, teria ensinado aos homens o cultivo das videiras e a preparação do vinho (Borges, 2016).

Quando lemos as Sagradas Escrituras, desde o seu primeiro Manuscrito; o de Gênesis, catalogado no Antigo Testamento (AT), até os últimos livros do Novo Testamento, iremos ver tanto na civilização de um passado mais distante, como na população da época de Jesus Cristo, o uso e consumo desta bebida de tão grande significado e simbolismo para todas estas nações.

Sendo assim, o nosso proposito em escrever este artigo, visa registrar algumas destas narrativas do povo Hebreu, também chamado de Israelitas (ou judeus), que faziam a utilização diária e anual do vinho.

  1. O Uso e Costume do Povo do Antigo Testamento (AT):

Logo no primeiro livro, o de Gênesis, encontramos o personagem de nome Noé que, entre outras coisas, foi escolhido por Jeová para construir uma Arca de Madeira, com o propósito de salvar a vida de sua família e de preservar a vida de todas as espécies de animais existentes (cf. Gênesis 6:14-18).

Gênesis 6:14-15,17-18. Faze para ti uma arca da madeira de gôfer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. E desta maneira farás: de trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinquenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura. (…). Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda carne em que há espírito de vida debaixo dos céus: tudo o que há na terra expirará. Mas contigo estabelecerei o meu pacto; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, e a tua mulher, e as mulheres de teus filhos contigo.

Depois de passado o Dilúvio, Noé, sua esposa com seus três filhos (Sem, Cam e Jafé) e as suas noras, juntamente com todos os animais, começaram uma nova vida e a povoar a nova terra. Com o tempo, ele passou a lavrar a terra e plantou uma vinha. Dando-lhe os seus frutos e, numa certa ocasião, Noé bebeu exageradamente do suco extraído das uvas, vindo a ficar embriagado.

Gênesis 9:20-22. E começou Noé a ser lavrador da terra e plantou uma vinha. E bebeu do vinho e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cam, o pai de Canaã, a nudez de seu pai e fê-lo saber a ambos seus irmãos, fora.

O que nos intriga diante deste acontecimento, volta-se, para a atitude de Noé que ficou bêbado e “nu” e que, ao saber que seu filho mais novo o viu despido e contou aos seus irmãos, amaldiçoou a Canaã (cf. Gênesis 9:24-25). Deste episódio, cabe um questionamento: Será que Noé, sendo um principiante cultivador de uvas, já sabia sobre o processo de sua fermentação1, que poderia levar o bebedor a embriagar-se? Fica aí em aberto para vossa reflexão!

A palavra do idioma hebraico para vinho é “yayin”, que é registrada de forma genérica mais de 140 vezes no AT., no entanto, este termo indica uma variedade de tipos de vinhos, tanto sendo fermentados (com teor alcoólico) ou não fermentados (o suco doce): “Também dos judeus e dos magistrados, cento e cinquenta homens, e os que vinham a nós dentre as nações que estão ao redor de nós, se punham à minha mesa. E o que se preparava para cada dia era um boi e seis ovelhas escolhidas; também aves se me preparavam e, de dez em dez dias, muito vinho de todas as espécies (grifamos); e nem por isso exigi o pão do governador, porquanto a servidão deste povo era grande” (Cf. Neemias 5:17-18).

Para não deixarmos dúvidas sobre o emprego de forma genérica da palavra yayin (hebraico Vinho), pelo povo do Antigo Testamento, frisa-se que: Por um lado, ela se aplica a todos os tipos de suco de uva fermentado (cf. Gênesis 9:20-21; 1 Samuel 25:36-37 e Provérbios 23:30-32). Por outro lado, ela também é usada com relação ao suco doce de uva (não fermentado) e o suco fresco da uva espremida (Cf. Isaías 16:10; Jeremias 48:33 e Lamentações de Jeremias 2:12). A Enciclopédia Judaica (1901) declara que o termo yayin era usado para designar o suco de uva em diferentes etapas, inclusive “o vinho recém-espremido antes da fermentação” (Bíblia de Estudo Pentecostal,1995).

Por isso, fizemos a pergunta anteriormente acerca da embriaguez de Noé. Tendo em vista que os registros citados acima, são de muito tempo decorridos depois da geração pós diluviana. Presume-se, que depois que Noé principiou o plantio e cultivo de uvas, as gerações subsequentes descobriram as riquezas nutritivas e comerciais desta fruta. A partir de então, passaram a cultivá-las e a produzir vinhos de todas as espécies: – novos e velhos; simples e mistos; alguns diretos da uva; outros, fervidos e concentrados; outros, doces e espessos como o mel; alguns misturados com água; outros fermentados ou não” (BEP,1995).

Em outro livro do AT, o de 1 Crônicas, encontramos um registro interessante acerca da partilha dos alimentos diários do povo Hebreu, que é visto também em outras passagens bíblicas e nos filmes que são transmitidos em todo final de ano, acerca da pessoa de Jesus Cristo: o pão, a carne e o vinho.

1 Crônicas 16:1-3. Trazendo, pois, a arca de Deus, a puseram no meio da tenda que Davi lhe tinha armado; e ofereceram holocaustos e sacrifícios pacíficos perante Deus. E, acabando Davi de oferecer os holocaustos e sacrifícios pacíficos, abençoou o povo em nome do SENHOR. E repartiu a todos em Israel, tanto a homens como a mulheres, um pão a cada um, um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho.

Para tanto, no livro de 2 Crônicas, notamos o registro da narrativa em que Salomão está com a missão de construir o Templo para adoração a Jeová, que era a vontade e intenção de seu pai, Davi, mas Deus não O permitiu, pois suas mãos estavam manchadas de sangue. No entanto, esta missão seria confiada a seu filho, conforme ordem dada pelo próprio Senhor. Assim, Salomão fez um acordo com Hirão, rei de Tiro, para o fornecimento dos trabalhadores e dos materiais necessários para a construção.

2 Crônicas 2:3-5. E Salomão enviou a Hirão, rei de Tiro, dizendo: Como procedeste com Davi, meu pai, e lhe mandaste cedros, para edificar uma casa em que morasse, assim também procede comigo. Eis que estou para edificar uma casa ao nome do SENHOR, meu Deus, para lhe consagrar, para queimar perante ele incenso aromático, e para o pão contínuo da proposição, e para os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados, e nas luas novas, e nas festividades do SENHOR, nosso Deus; o que é perpetuamente a obrigação de Israel. E a casa que estou para edificar há de ser grande, porque o nosso Deus é maior do que todos os deuses.

Em contrapartida, Salomão deveria fornecer alguns gêneros alimentícios para os trabalhadores que ele enviasse, incluindo alguns batos2 de vinho: “E eis que a teus servos, os cortadores, que cortarem a madeira, darei vinte mil coros de trigo malhado, e vinte mil coros de cevada, e vinte mil batos de vinho, e vinte mil batos de azeite” (cf. 2 Crônicas 2:10).    Em outra narrativa, registrada no mesmo livro de 2 Crônicas, Roboão, filho de Salomão, que reinava em Judá (duas tribos, reino do sul), mas queria que o povo o aclamasse rei também em Israel (dez tribos, reino do norte). O povo, juntamente com Jeroboão, que havia retornado do Egito, por medo de ser morto por Salomão, fizeram uma imposição para que ele viesse a reinar, pedindo-lhe para aliviar a carga pesada imposta por seu pai, o rei Salomão. Devido a esta proposta, ele pediu conselho aos Anciãos que auxiliavam seu pai, mas foi consultar também os jovens que cresceram com ele. Assim, ele privilegiou o conselho dado por seus amigos de infância, aumentando ainda mais o rigor contra o povo, preparando-se para uma guerra contra seus irmãos. Mas, Jeová enviou uma mensagem ao profeta Semaías, para dizer a Roboão para não ir a esta guerra. Assim, ele ouviu a Semaías, voltando para o seu reino e mandou edificar fortalezas em várias cidades, estabelecidas em suas terras.

2 Crônicas 11:1-4. Vindo, pois, Roboão a Jerusalém, ajuntou da casa de Judá e Benjamim cento e oitenta mil escolhidos, destros na guerra para pelejarem contra Israel (Reino do Norte) e para restituírem o reino a Roboão. Porém a palavra do SENHOR veio a Semaías, homem de Deus, dizendo: Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá (Reino do Sul), e a todo o Israel, em Judá e Benjamim, dizendo: Assim diz o SENHOR: Não subireis, nem pelejareis contra os vossos irmãos; tornai cada um à sua casa, porque de mim proveio isso. E ouviram as palavras do SENHOR e desistiram de ir contra Jeroboão.

Roboão, conhecendo o seu Deus, foi obediente a sua voz, dita através de seu enviado; o profeta Semaías e não entrou em guerra contra Israel. E em cada uma das fortalezas que ele mandou edificar, havia um local reservado para se guardar os vinhos e outros gêneros alimentícios: “E fortificou essas fortalezas, e pôs nelas maiorais, e armazéns de víveres, e de azeite, e de vinho” (cf. 2 Crônicas 11:11). Vale registrar , que muitos anos antes do reinado de Salomão, no tempo dos juízes, havia um casal que era originário da Tribo de Dã, que foi abençoada por Jeová, concedendo-lhes um filho homem, a qual recebera o nome de Sansão, sendo que a sua esposa era estéril.

Juízes 13:2-5. E havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, cujo nome era Manoá; e sua mulher era estéril e não tinha filhos. E o Anjo do SENHOR apareceu a esta mulher e disse-lhe: Eis que, agora, és estéril e nunca tens concebido; porém conceberás e terás um filho. Agora, pois, guarda-te de que bebas vinho ou bebida forte (com teor alcoólico), nem comas coisa imunda. Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será Nazireu3 de Deus desde o ventre e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus.

Neste caso, devido o Voto do Nazireado, Sansão teria que se abster de vários tipos de bebidas e de certas comidas, entre outras coisas, por um período de tempo: “Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando um homem ou mulher se tiver separado, fazendo voto de nazireu, para se separar para o Senhor, de vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho ou vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá. Todos os dias de seu nazireado, não comerá de coisa alguma que se faz da vinha, desde os caroços até às cascas” (cf. Números 6:3-6).

Gostaríamos de apresentar para o leitor, o significado bíblico da expressão “bebidas fortes”, conforme citadas nos textos. Geralmente, no AT o termo hebraico – “Shekar” comporta o significado de bebidas fortes. Sendo defendido por estudiosos das Escrituras Sagradas, que ela faz referência a bebidas fermentadas. O interessante é que a Enciclopédia Judaica (1901), sugere haver uma distinção entre a palavra “Yayin” e “Shekar”. Segundo eles, a primeira bebida é fermentada e diluída em água, enquanto que as bebidas fortes não eram diluídas. Segundo defendeu Robert P. Teachout, em sua dissertação de doutorado em Teologia (1979) que: “Na maioria dos casos, quando yayin (vinho) e shekar (bebidas fortes) aparecem juntos, formam uma única figura de linguagem, que se refere às bebidas embriagantes” (BEP,1995).     

Assim que o povo Israelita (ou Hebreus) voltaram para sua terra natal, após ter passado anos no cativeiro Babilônico (70 anos), devido a ordem dada pelo rei Ciro, confirmada pelos reis que o sucedeu, rei Dario e Artaxerxes, todos de origem Persas, sob a direção e liderança de Esdras, o escriba hábil e versado na Lei de Moisés (Pentateuco ou Torah), eles começaram a reconstruir o Templo e a volta regular de Adoração a Deus: “E, passadas essas coisas, no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, Esdras, filho de Seraías, filho de Azarias, filho de Hilquias, (…). Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do SENHOR, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos” (cf. Esdras 7:1,10).

Esdras 6:3,8-10. No ano primeiro do rei Ciro, o rei Ciro deu esta ordem: Com respeito à Casa de Deus em Jerusalém, essa casa se edificará para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes; a sua altura, de sessenta côvados, e a sua largura, de sessenta côvados, (…). Também por mim se decreta (rei Dario) o que haveis de fazer com os anciãos dos judeus, para que edifiquem a Casa de Deus, a saber, que da fazenda do rei, dos tributos dalém do rio, se pague prontamente a despesa a estes homens, para que não sejam impedidos. E o que for necessário, como bezerros, e carneiros, e cordeiros, para holocausto ao Deus dos céus, trigo, sal, vinho e azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalém, dê-se-lhes de dia em dia, para que não haja falta; para que ofereçam sacrifícios de cheiro suave ao Deus dos céus e orem pela vida do rei e de seus filhos.

Poderíamos inserir várias passagens bíblias com o uso e o costume sobre o vinho, mas gostaríamos de dar continuidade a abordagem, abrindo um tópico para conhecermos um pouquinho sobre esta fruta, a uva, como também acerca dos tipos de vinhos que podem ser feitos com a sua extração.

  1. Os Tipos de Uvas e Vinhos Produzidos no Mundo (Atualidade):

No tempo em que Noé começou a ser lavrador, passando a plantar e cultivar uva, não temos como precisar, qual foi o tipo de uva plantada por ele naquela ocasião. Em nossos dias, sabemos existir muitos tipos de uvas, mas iremos apresentar algumas para nosso conhecimento.

. Cabernet Sauvignon: ela é considerada a rainha das tintas por conta de sua popularidade no mundo todo. Mais precisamente, ela é originária e cultivada na região de Bordeaux, na França. Mas, atualmente é cultivada em todos os países produtores de vinho. Seus vinhos são encorpados e com aroma herbáceo (relativa a erva). Se as uvas forem colhidas antes do tempo, provavelmente irá apresentar notas de pimentão verde. Se o vinho for feito com uvas maduras, poderá exalar notas de cerejas negras frescas, cassis (tipo groselha) e framboesa.

. Malbec: Originária da França, mas é na Argentina que ela se encontra forte. Os vinhos argentinos com esta uva são encorpados e concentrados. Enquanto que os vinhos franceses são mais rústicos e firmes. Em geral, a bebida é macia e muito aromática com sabores e aromas de especiarias e flores. É muito consumida no Brasil.

. Tannat: originária do sudoeste da França, mas se adaptou muito bem em solos uruguaios. Tanto que eles se tornaram os maiores produtores desta uva do mundo. Os seus vinhos são encorpados e com muito tanino (substância química encontrada no grupo de fenóis vegetais4), precisando de envelhecimento para se tornar mais suave. As notas aromáticas são de frutas negras, couro e especiarias.

. Pinot Noir: desde a antiguidade, esta uva é cultivada na França. Seus vinhos são elegantes e leves. As notas remetem a cerejas, cogumelos e frutas vermelhas maduras. Uma característica marcante é conhecida como “cheiro de bosque”, devido o aroma de folhas úmidas e ervas.

. Carmenère: ela é conhecida como prima da Merlot e tem sua origem na região de Bordeaux, na França. Por conta de uma praga que devastou as videiras na Europa, a uva encontrou no Chile o terroir (francês, significa Solo) ideal para o seu desenvolvimento e foi por muitas vezes confundida com a Merlot. Seus vinhos são encorpados e com taninos marcantes, muito aromáticos com notas de frutas vermelhas e sabores apimentados e frutados.

. Merlot: ela é também de origem francesa e muito conhecida, principalmente por dar origem a vinhos que podem ser consumidos tanto jovens como envelhecidos. Se as uvas são cultivadas em regiões mais quentes, a bebida é frutada e com menos tanino – como na América do Sul. Em regiões mais frias, apresenta maior quantidade de taninos. Em geral, são macios, com notas de morango, framboesa, ameixa, amora e groselha.

. Syrah: esta uva se adaptou muito bem na Austrália, Espanha e Argentina. Nos vinhos, os taninos se sobressaem dando mais personalidade. Uma característica marcante é o envelhecimento, que melhora substancialmente a bebida. As notas são de mirtilo (subarbusto de até 60 cm), ameixas e amoras. Além das especiarias e pimenta.

. Chardonnay: sua origem é francesa, mas muito cultivada na California, Chile e Austrália. Seus vinhos são muito procurados, pois são fáceis de agradar e harmonizar. São encorpados e tem aromas frutados, que variam de frutas cítricas, como maça e limão, até frutas mais maduras, como pêssego e abacaxi.

. Sauvignon Blanc: ela também é francesa, porém, o seu maior destaque é a Nova Zelândia. O vinho é mais encorpado e complexo. Com aromas de ervas, lima, aspargo, e maça verde. A bebida é muito aromática, fresca e com ótima maciez.

2.1 – Os Tipos de Vinhos Produzidos:

Acabamos de conhecer algumas das uvas que são plantadas e cultivadas por vários países do mundo. De forma resumida, iremos apresentar os tipos de vinhos que são produzidos a partir da extração de uvas e que são amplamente comercializados pelo mundo.

. Vinho Tinto: o que faz dar cor ao vinho é a casca da uva. Sendo assim, a uva vermelha pode resultar num vinho branco. No entanto, a variedade branca não chegará a produzir um vinho tinto. Na preparação de vinhos tintos são usadas as seguintes uvas: cabernet sauvignon, pinot noir, merlot, syrah, malbec, carmennère e tannat.

. Vinho Rosé: eles são muito apreciados pelo frescor e leveza. A sua cor é obtida pela retirada das cascas antes do mosto (sumo de uvas frescas sem passar pelo processo de fermentação) ficar tinto. As uvas usadas nesta bebida são: cabernet sauvignon, chardonnay, merlot e pinot noir.

. Vinho Branco: as uvas brancas dão origem a vinhos frescos, leves, e com acidez acentuada. Eles são ideais para serem degustados mais gelados e com pratos mais leves. As uvas mais usadas em sua preparação são: chardonnay, sauvignon blanc, pinot grigio ou gris (uvas brancas de cascas escuras) e riesling (de origem Alemã).   

Para concluirmos esta parte, vale lembrar que a importância de se conhecer a uva, prende-se ao fato de se saber como foi produzido o vinho (foi extraído de qual uva), para você escolher os sabores e os aromas que te agradam. Para exemplo: se você gosta de um vinho mais forte, a indicação é o Cabernet Sauvignon, pois a uva Merlot é menos encorpada. Outro exemplo: se a tarde estiver ensolarada e muito quente, a sugestão é o Sauvignon Blanc, pois é bem leve e refrescante. Além de ser um bom acompanhante para se degustar peixes e frutos do mar.

Agora, para quem está se preparando para comer um prato mais intenso, como massas e molhos cremosos a base de queijos, a pedida é o Chardonnay, que é um vinho branco, mais encorpado e com notas de frutas amarelas, como o pêssego maduro.

  1. O Uso e Costume do Povo do Novo Testamento (NT).

Vimos na primeira parte deste artigo, como o vinho (Yayin) estava presente em todos os lugares e festividades realizadas regularmente pelas civilizações do Antigo Testamento, mais especificamente o povo Hebreu (ou judeu). E como esta cultura e/ou costume milenar, veio avançando no decorrer dos anos e se fazendo de forma presente em nossos dias. Trouxemos ainda, para nosso conhecimento, algumas uvas que são plantadas e cultivadas por vários países da atualidade. Como também, a produção e a comercialização de uma variedade de vinhos que são extraídos destas frutas.

Agora, passaremos a apresentar, alguns registros do uso e consumo do vinho, pela civilização que viveu no tempo em que Jesus Cristo estava realizando o seu ministério terreno. Dito com outras palavras, a população da época do Novo Testamento (NT). Em muitos dos seus 27 Livros, existem aproximadamente quarenta milagres que foram realizados por Jesus Cristo. E você sabe qual foi o primeiro deles? Não? Então vai ficar sabendo agora!

Foi a transformação da água em vinho. Ele foi convidado para um casamento (Bodas), numa cidade da Galileia, de nome Caná: “E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas” (cf. Evangelho de João 2:1-2). Nesta festa, acabou o vinho que estava sendo servido aos seus convidados. A mãe de Jesus, conhecendo-O, dirigiu-se a Ele e o informou sobre o ocorrido, ou seja, que tinha acabado o vinho. Ele, após dar-lhe uma resposta a princípio um pouco ríspida, transformou “a água” em um vinho de boa qualidade.

João 2:7-11. Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os empregados que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo. E disse-lhe: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

Jesus, pelo atributo da Onisciência (sabe com antecedência de todas as coisas), sabia da importância do vinho para a festa e comemoração daquele casamento (alegria, celebração). Caso o milagre não fosse realizado, o noivo ficaria desmoralizado perante os pais da noiva e envergonhado perante os seus convidados. Além de poder ser difamado por toda aquela região. E como estamos falando sobre o uso e o consumo do vinho, ele se fazia presente nas várias festas sagradas do povo hebreu (AT), realizadas durante todo o transcorrer do ano. Podemos também verificar este mesmo costume sendo praticado com a civilização da Nova Aliança.

Vale ressaltar que além da palavra hebraica “yayin”, usada em vários livros do AT e que faz referência ao vinho em suas mais variadas espécies. Existe outra palavra também de origem hebraica “Tirosh”, que é encontrada em muitos livros do NT e que é traduzida por vinho novo ou vinho da vindima. A Enciclopédia Judaica (1901), afirma que esta palavra inclui todos os tipos de sucos doces ou de uvas recém-colhidas, mas não se refere ao vinho fermentado” (BEP,1995).

Como falamos anteriormente sobre o casamento realizado na cidade de Caná da Galileia, pode ser visto no Evangelho de Lucas, a narrativa em que o Mestre Jesus, está sendo questionado acerca da prática do jejum, onde Lhe perguntaram o motivo de seus seguidores não se consagrarem, vindo a comer e beber.          

Lucas 5:33-39. Disseram-lhe, então, eles: Por que jejuam muitas vezes os discípulos de João e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem? (não se consagram?) E ele lhes disse: Podeis vós fazer jejuar os convidados das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e, então, naqueles dias, jejuarão. E disse-lhes também uma parábola: Ninguém tira um pedaço de uma veste nova para o coser em veste velha, pois que romperá a nova, e o remendo não condiz com a veste velha. E ninguém põe vinho novo em odres velhos; de outra sorte, o vinho novo romperá os odres e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. Mas o vinho novo deve ser posto em odres novos, e ambos juntamente se conservarão. E ninguém, tendo bebido o velho (passou pelo processo de envelhecimento), quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.

Esta passagem é bem interessante, pois Ele se refere ao noivo (o homem) que está se casando, como também a Ele mesmo (o noivo espiritual), que irá se casar: as Bodas do Cordeiro (tendo a igreja como sua noiva), deixando claro que se o noivo está presente (o homem e Ele também) não há necessidade da prática do jejum. Ele também faz alusão acerca da valorização do melhor vinho (o novo e o velho), utilizando-se de uma parábola. Neste sentido, se faz oportuno inserir uma segunda pergunta bem intrigante, para você pensar e refletir: Jesus Cristo era bebedor de vinho? Pensamos que diante deste questionamento, poderemos obter, no mínimo, duas respostas: uma afirmativa e outra negativa. Gostaríamos que você observasse com atenção, o texto bíblico em que registra as palavras ditas pelo próprio Jesus:

Lucas 7:33-34. Porque veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho (grifamos), amigo dos publicanos e dos pecadores.

Jesus Cristo estava tendo um diálogo com dois discípulos de João, o Batista, que os haviam enviado para perguntarem se ele era o Messias: “(…): És tu aquele que havia de vir ou esperamos outro? Primeiramente, Ele faz menção a pessoa de João Batista, que se vestia com roupas feitas com peles de animais (camelos), usava um cinto de couro em volta de seus lombos, comia insetos (Gafanhotos) e mel silvestre (“vegetariano”). Além disso, João não ingeria vinho, nem bebida forte e não se alimentava de comidas impuras (cf. Mateus 3:1-4).

Logo em seguida, Ele faz alusão a Si mesmo (o Filho do Homem), que vindo à terra comia e bebia com os pecadores e publicanos. Sendo então, chamado de comilão e beberrão: “E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento. (…), e começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento” (cf. Lucas 7:36-38).

Portanto, se nos apegarmos apenas a narrativa do texto escrito pelo Evangelista Lucas, poderemos “pensar e entender” de que, em algumas ocasiões, Jesus Cristo fazia a ingestão de vinho, isto é, bebida extraída da uva que passou pelo processo de fermentação (inebriante e com teor alcoólico). Entretanto, encontramos em outros Manuscritos, tanto do Antigo como do Novo Testamento, a inserção da palavra “mosto” que tem sua origem do latim “mustum,i”, comportando o significado de “vinho doce”. Na tradução encontrada no dicionário Silveira Bueno (FTD,2007), iremos constatar que mosto é: “O sumo de uvas antes de sua fermentação”. Logo, podemos “pensar e entendermos” que é o suco extraído da uva, bebido antes do processo da fermentação. Assim, podemos também presumir de que Jesus Cristo poderia fazer a ingestão do mosto, ou seja, o suco de uva fresca sem ter passado pela fermentação (sem teor alcoólico).

Antigo Testamento: “E o Senhor bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o Senhor será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel. (…). E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto (grifamos) e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte, da casa do Senhor, e regará o vale de Sitim” (cf. Joel 3:16-18).

(…)

Novo Testamento: “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. (…). E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. (…). E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia (cf. Atos 2:1-15).

Neste segundo texto, registrado em Atos dos Apóstolos, retrata o dia em que aproximadamente 120 pessoas estavam reunidas dentro de uma casa (sobrado), quando foram impactadas e cheias pelo Espirito Santo de Deus. Entretanto, outras pessoas viram a mudança de seus comportamentos, principalmente pela linguagem e os idiomas com que falavam. Algumas delas, diziam que eles haviam exagerado ao ingerirem “mosto”. Numa das interpretações que podemos extrair daqui, principalmente pela fala do apóstolo Pedro, que saiu em defesa dos mesmos, seria de que o mosto, a bebida da qual eles se referiam, possuía teor alcoólico (passou pelo processo de fermentação). Tendo em vista que uma das primeiras palavras de Pedro, contesta de que eles não estavam embriagados.

Vale lembrar, que muitos estudiosos das Escrituras Sagradas (AT e NT) e a Enciclopédia Judaica (1901), “afirmam que os povos daquela época, faziam suco de uva em diferentes etapas, inclusive produziam vinho recém-espremido, antes do término da fermentação”. Fica assim em aberto, para a interpretação própria e pessoal de cada leitor, pautada nas duas respostas que foram apresentadas neste artigo, quando questionamos se Jesus Cristo bebia vinho?

Um grupo de pessoas irá defender que Ele bebia somente o mosto (suco de uva doce), enquanto outras pessoas poderão afirmar de que Jesus fazia a ingestão do vinho fermentado (com teor alcoólico). Outra passagem bíblica interessante para que possamos analisar, encontra-se na Carta ou Epístola a Timóteo, escrita pelo apóstolo Paulo. Nela, ele orienta ou sugere ao jovem Timóteo, que venha a tomar água misturada com um pouco de vinho: “Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho (grifamos) por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades” (cf. 1 Timóteo 5:23).

Sabe-se que Paulo, o autor desta Carta a Timóteo, possuía vasto conhecimento intelectual, falava vários idiomas e tinha grande influência social (era Fariseu) naquela ocasião. E isto bem antes de sua conversão ao Cristianismo (cf. Atos dos Apóstolos: cap. 9). Duas coisas importantes para se destacar desta recomendação do apóstolo Paulo:

. Primeira: De acordo com comentários feitos por teólogos, a água potável (bebível) era muito alcalina, podendo resultar em problemas de saúde da população local, tais como: acidez estomacal, úlceras, gastrite etc. Por isso, asseguram eles, Paulo fez esta recomendação para que ele misturasse o vinho com a água. Assim, com as propriedades nutricionais contida nas uvas, esta mistura teria um efeito exclusivamente medicinal.

. Segunda: Volta-se a respeito do uso e costume de alguns judeus do NT, que consumiam vários tipos de vinho que se comercializavam naquela época. Se Paulo estava recomendando a Timóteo para tomar o vinho misturado com água; parece-nos bem claro, de que Timóteo não fazia parte deste grupo de bebedores habituais de vinho. O interessante é que nesta mesma Carta, embora registrada em outro momento, o apostolo Paulo escreve para este jovem líder, acerca da mesma bebida: – o vinho!

1 Timóteo 3:2-3,8. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho (grifamos), não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; (…). Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância,

Numa interpretação feita de forma superficial, pode ficar entendido de que Paulo, estava dizendo para Timóteo, que o líder da igreja e seus auxiliares (diáconos), poderiam tomar seu vinho tranquilamente, mas de forma moderada. Numa outra interpretação, feita de forma mais aprofundada e detida, poderemos notar que a expressão “não dada ao vinho”, em seu idioma original grego – “me paroinon”, “me” significa – não e, o “paroinon” quer dizer: ao lado ou perto do vinho. Como está registrado no livro de Provérbios: “Para quem são os ais? Para quem são os pesares? (…). E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando bebida misturada” (cf. Provérbios 23:29-33).

Em outras palavras, o pastor, presbítero, padre, líder eclesiástico, qualquer obreiro e seguidor de Cristo, não deve fazer a ingestão de vinho embriagante (ou inebriante), nem ser tentado ou atraído por ele. Pode-se concluir desta narrativa, que tanto Jesus como o apóstolo Paulo, tinham conhecimento do uso do vinho, que era extraído das uvas, com finalidade e efeito medicinal. Não sei se você já ouviu uma frase bem antiga, que diz assim: “O vinho é o melhor remédio”. Em nossos dias, depois de passados tantos anos, sabe-se de certos benefícios advindos desta bebida chamada vinho (devido os componentes existentes nas uvas). Logicamente, segundo afirmam os estudiosos e pesquisadores, se for ingerida de forma moderada, poderá trazer o bem-estar dos seres humanos.

Vale lembrar, de que não estamos defendendo ou induzindo o leitor a vir fazer uso desta bebida alcoólica, mas apresentar-lhes o que os especialistas da área médica têm pesquisado e confirmado acerca dos nutrientes encontrados nestas frutas. Sendo assim, vale ressaltar de que o vinho é rico em compostos nutricionais, que são de grande importância para a saúde, principalmente os polifenóis. Eles são componentes naturais encontrados em muitas verduras de cor verde-escura (couve, rúcula, espinafre, etc.) e frutas (morango, uva, açaí, maça etc.). Portanto, passaremos a descrever, alguns de seus benefícios (se ingerido de forma moderada):

  1. Redução da pressão arterial: isso se deve por conta de sua ação vasodilatora (aumentando o calibre dos vasos sanguíneos).

  1. Menor volume de Colesterol ruim circulando no sangue (LDL): a sigla significa Lipoproteína de Baixa Densidade. Ele transporta o colesterol do fígado até às células dos tecidos e favorece o seu acúmulo nas paredes internas das artérias, diminuindo o fluxo do sangue. Ele está diretamente relacionado a doenças cardíacas (infarto) e o AVC (acidente vascular cerebral).

  1. Maior volume de Colesterol bom circulando no sangue (HDL): a sigla significa lipoproteínas de alta densidade. Estando em alto volume, ele é capaz de absorver os cristais de colesterol, que são depositados nas artérias, removendo-o das artérias e transportando-o de volta ao fígado para ser eliminado. Este Colesterol, estando com o nível elevado, pode ser benéfico e reduzir o risco de doenças cardíacas.

  1. Menores riscos de desenvolvimento de tromboses e derrames: A trombose é causada por um coágulo sanguíneo que pode bloquear ou prejudicar o fluxo de sangue na região em que está e até se soltar e se mover para um órgão. Enquanto que o derrame se dá pelo acúmulo gasoso ou líquido no cérebro. Em outras palavras, o sangue “derrama” dentro do cérebro.

  1. Menor risco de apresentar quadros de AVC: existem alguns fatores de risco que não podem ser modificados, quais são eles: idade acima de 55 anos; sexo masculino; o histórico familiar de AVC; diabetes. Mas existem outros que podemos: alimentação equilibrada (evitar gorduras e sódio); fazer atividade física regular, controle da glicemia (diabetes); ter um acompanhamento médico; controle dos níveis de colesterol (LDL e HDL), etc.

  1. Proteção cardiovascular contra quadros de infarto: algumas condutas devem ser evitadas ou diminuídas, para que haja esta proteção, tais como: a cessação do tabagismo (parar de fumar), redução do sal na dieta, deve-se consumir frutas e vegetais, praticar atividades físicas regulares, entre outras. Estas condutas têm se mostrado eficazes para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

É de suma importância deixar bem claro, de que o uso e consumo de qualquer alimento ou bebida alcoólica (ou não), por maiores benefícios que possam oferecer para a saúde e o bem-estar dos seres humanos, sempre deve ser feito com muita cautela e moderação. Presume-se, de que qualquer pessoa saiba, independentemente se a bebida é alcoólica ou não (até água natural), se for ingerida de forma excessiva e exagerada, poderá trazer sérios problemas a saúde de seu bebedor.

O mesmo poderá acontecer, se for em relação a degustação de comidas (gordurosas ou não). Mas, quando estamos nos referindo ao consumo de vinho (ou outra bebida alcoólica), deve ser levado em consideração as necessidades nutricionais de cada pessoa. De uma maneira geral, os especialistas no assunto, recomendam que: – se o uso for diário, ele não deve ultrapassar uma taça de 150mL (copo simples de vidro), para pessoas adultas. Este volume, segundo eles, já é suficiente para oferecer os benefícios que foram apresentados nesta abordagem (fonte: https://content.paodeacucar.com – acesso: 07.01.2022).

Para não deixarmos passar “em branco”, um registro fundamental para trazermos a memória: Quando Jesus Cristo foi condenado a morte e pregado no madeiro, ele teve sede e pediu por água. No entanto, deram-lhe “vinagre”. Esta palavra foi traduzida do idioma grego – “oxos”, que significa “vinho azedo”. Mas, antes de Sua crucificação, já haviam dado vinagre a Jesus: “E chegando ao lugar chamado Gólgota, que significa lugar da Caveira, deram-Lhe a beber, vinho misturado com fel5; mas ele, provando-o, não o quis beber” (cf. Mateus 27:33-34).

Portanto, esta bebida que foi oferecida para Jesus, continha teor alcoólico e foi misturada com um produto (erva) entorpecente: “(…); esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum; e por consoladores, mas não os achei. Deram-Me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre” (cf. Salmo 69:20-21).

Finalizamos este artigo, sem qualquer intenção de esgotarmos o assunto, deixando em aberto o questionamento proposto: Jesus era bebedor de vinho com teor alcoólico ou apenas suco de uva doce? Para que você, leitor, possa se aprofundar no estudo da Palavra de Deus, tirando a sua própria conclusão.

1Fermentação da uva. Processo pelo qual o açúcar do suco de uva converte-se em álcool e em dióxido de carbono.

2Bato. Uma unidade de volume usada para medição naquela época (principalmente em Israel), que equivalia a aproximadamente 22,7 litros.

3 Nazireado. Pessoa que, segundo o Antigo Testamento (ou Torah), se consagrou por um tempo determinado, ao fazer um voto ao Senhor. Abstendo-se de comer comidas ou ingerir certas bebidas, não cortar o cabelo etc.

4Fenóis. Eles também podem ser originários de fontes naturais, p.ex., pode ser observado nos fenóis extraídos da destilação de pétalas e folhas das plantas, que são muito usados pela indústria alimentícia. A vanilina é a essência de baunilha usada em doces, sorvetes, bolos, entre outros; o timol é a essência de tomilho, também usada na produção de alimentos; ambas extraídas de fenóis.

5Fel. No AT trata-se de uma planta excessivamente amarga (Deuteronômio 29:18; Jeremias 8:14). Enquanto que no NT ela é referida como uma droga chamada de Mirra (Mateus 15:23), que produz dormência ou paralisação em partes do corpo.

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