Odebrecht decide colaborar de forma “definitiva” com investigação da Lava Jato

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Presos da Lava Jato fazem exames no IML de Curitiba e começam a prestar depoimento neste sábado. Entre os 12 presos, estão os presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez. Na foto o Marcelo Odebrecht (de azul) “presidentes da Odebrecht” no IML, de Curitiba. Os doze presos na 14ª fase da Operação Lava Jato foram levados na manhã deste sábado (20) ao Instituto Médico Legal (IML), em Curitiba, para fazer o exames. Entre eles,os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, presos na sexta-feira (19). Os exames terminaram perto do meio-dia. Na sequência, os presos foram levados de volta para a carceragem da Polícia Federal, ondem começam a prestar depoimentos ainda na tarde deste sábado. As duas maiores empreiteras do país são acusadas de participar do esquema criminoso de cartel, fraude à licitação e pagamento de propinas em contratos da Petrobras. Segundo as investigações, elas utilizariam contas no exterior para lavar os recursos ilícitos, principalmente das diretorias de Abastecimento e Serviços. Eles são suspeitos de usar empresas em paraísos fiscais para lavar recursos desviados de contratos feitos com a Petrobras. As irregularidades teriam sido cometidas em contratos da Petrobras que somam R$ 17 bilhões com a Odebrecht e R$ 9 bilhões com a Andrade Gutierrez. Considerando o porcentual de 3%, que geralmente era destinado a partidos políticos, a estimativa é que o montante de corrupção chegue a R$ 780 milhões. Uma das provas que embasaram a decisão de Odebrecht é um e-mail indicando que o executivo tinha conhecimento sobre o superfaturamento em um contrato de operação de uma sonda da Petrobras – o sobrepreço seria de US$ 25 mil dólares por dia.

A empreiteira Odebrecht, investigada na Operação Lava Jato, informou hoje (22) que decidiu colaborar de forma “definitiva” com a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), que cuida das investigações. Os executivos da empresa deverão fazer acordos de delação premiada.

Em comunicado chamado “Compromisso com o Brasil”, divulgado pela empresa diante do cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão da 26ª fase da Lava Jato, deflagrada hoje, a Odebrecht diz que a decisão foi tomada após avaliações e reflexões de acionistas e dos executivos.

De acordo com os procuradores do Ministério Público Federal, a empreiteira tinha um departamento responsável pelo pagamento de propina. A Polícia Federal também investiga pagamento de propina na construção Arena Corinthians, conhecida como Itaquerão, em São Paulo.

Apesar das acusações de pagamento de propina, a empresa declarou que “não tem responsabilidade dominante” sobre a investigação, que, segundo a empreiteira, “revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”.

O principal executivo da empreiteira, Marcelo Odebrecht, está preso desde junho do ano passado em Curitiba. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal à Justiça, o empresário está envolvido diretamente no esquema de pagamento de propina a ex-dirigentes da Petrobras e atuava orientando as atividades dos demais acusados ligados à empreiteira