Presídio de Teófilo Otoni cultiva mudas nativas para reflorestamento

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Crédito: Carlos Alberto / Imprensa – MG Local : Teófilo Otoni -Minas Gerais Data : 28-10-2015 Assunto : [Seds] Presídio de Teófilo Otoni

Plantas serão usadas para reflorestar áreas de preservação ambiental, além de ornamentar praças e espaços públicos

Detentos do Presídio de Teófilo Otoni irão cultivar e doar mudas de plantas nativas da região, que serão usadas para reflorestar áreas de preservação ambiental, além de ornamentar praças e espaços públicos frequentados pelos 140 mil habitantes do município.

O novo cultivo integra um conjunto de atividades agrícolas que já são desenvolvidas dentro da unidade prisional, localizada na zona rural da cidade do Vale do Mucuri. O projeto tem o apoio da prefeitura de Teófilo Otoni, da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF).

Conforme a legislação, o cidadão que – por alguma justificativa pertinente – consegue autorização para retirar uma árvore das proximidades de sua casa, em contrapartida, deve fornecer dez mudas à prefeitura. Essas plantas adquiridas por meio desse sistema de compensação ambiental serão encaminhadas ao presídio, para cultivo e maturação.

“As mudas que recebemos normalmente são muito novas e ainda frágeis para o plantio. A cultura no presídio ajudará no fortalecimento dessas plantas antes da doação e do replantio”, afirma Sônia Neiva, representante da prefeitura de Teófilo Otoni.

Os presos empregados no viveiro de mudas serão beneficiados com remissão de pena e com uma remuneração em dinheiro assegurada pela Copasa. Já o Instituto Estadual de Florestas (IEF) vai treinar os detentos selecionados para cuidar das mudas.

O diretor-geral do Presídio de Teófilo Otoni, José Alberto Souza de Almeida, explica que a parceria para a instalação do viveiro vai beneficiar a horta do presídio, que terá a produção ampliada graças à maior disponibilidade de água.

Isso porque, para garantir o abastecimento do viveiro, a Prefeitura doou materiais para a construção de uma caixa d’água de alvenaria com capacidade de 16 mil litros, tubos e uma bomba para a captação em um manancial nas proximidades. A produção da horta é integralmente doada para instituições de assistência social do município.

“Buscamos parcerias, constantemente, para promover oportunidades de ressocialização”, conta o diretor do presídio, José Alberto.

O peso relevante das atividades agropecuárias na região se reflete numa incidência ainda considerável de presos em Teófilo Otoni com ligações fortes com o campo. É o caso de Fábio Dantas, de 39 anos de idade, um dos empregados na horta do presídio. “É importante trabalhar para evitar a ociosidade no presídio. Mas me sinto melhor ainda por ter a oportunidade de trabalhar com o que eu gosto, na terra, em contato com a natureza”, diz o detento.

Erosão

O Presídio e a Penitenciária de Teófilo Otoni estão a 17 quilômetros do núcleo urbano, numa propriedade rural do Estado. O relevo é montanhoso e há remanescentes importantes de mata e muitas nascentes. Por isso, a vocação para a produção agrícola e também para a preocupação com o meio ambiente das duas unidades.

Há três anos, por exemplo, os detentos do presídio mantêm uma plantação de vetiver, uma gramínea de origem asiática que se mostrou bastante adequada para conter deslizamentos e erosão de encostas, especialmente na Serra Fluminense, atingida por grandes desastres naturais nos últimos anos.

Por enquanto, as mudas de vetiver produzidas no Presídio de Teófilo Otoni têm sido replantadas em encostas do entorno da unidade para prevenir a erosão. O diretor José Alberto acredita, contudo, que uma nova parceria poderá tornar o presídio um polo de disseminação do capim vetiver para projetos de contenção de encostas no município.